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Transtornos do Espectro Autista

Published by Fabiane Biazus on

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Continuamos a série de blog posts na qual convidamos profissionais ligados às IAAs para falar sobre diferentes métodos de tratamento dos Transtornos do Espectro Autista (TEA). Hoje recebemos Fabiane Biazus, educadora especial, psicopedagoga clínica e institucional, especializada em TEA, e assessora familiar domiciliar para TEA´s. Fabiane nos trás informações sobre Transtornos do Espectro Autista: um breve histórico, números atuais e novos métodos de tratamento.

Um pouco da cronologia do autismo

1933

Nasce nos Estados Unidos, no mês de setembro, o filho de Mary e Beamon, Donald Triplett, que seria mais tarde a primeira pessoa diagnosticada com autismo.

1938

Beamon relata os comportamentos estranhos que percebiam em Donald e enviam para o psiquiatra Leo Kanner, chefe do departamento de psiquiatria infantil de um hospital nos Estados Unidos. Ainda nesse mesmo ano, Mary e Beamon levam Donald para Leo Kanner atender.

1942

O psiquiatra Leo Kanner manda uma carta a Mary, onde levanta a hipótese que Donald e outras crianças com comportamentos semelhantes tenham um transtorno ainda não reconhecido, que ele chama “Distúrbio Autista do Contato Afetivo”.

1943

Leo Kanner publica a obra “Distúrbio Autista do Contato Afetivo”, relatando o caso clinico de onze crianças.

1944

A tese de pós-graduação de Hans Asperger fala sobre a “Síndrome de Asperger”, que só seria reconhecida quatro décadas depois.

1948

Na revista TIME, Leo Kanner fala sobre a teoria “mãe de geladeira”.

1969

Em reunião anual da sociedade de autismo, Leo Kanner retira a teoria “mãe de geladeira”, isentando os pais da responsabilidade pelo autismo dos filhos.

1980

O autismo entra pela primeira vez no Manual Diagnostico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM).

1994

É a vez do Transtorno de Asperger entrar no DSM.

2013

O Transtorno de Asperger é excluído do DSM 5.

De Transtornos Globais do Desenvolvimento a Transtorno do Espectro Autista

Até 2013, transtornos infantis eram classificados como Transtornos Globais do Desenvolvimento, sendo eles:

A partir de 2013, quando o Transtorno de Asperger é excluído do DSM 5, o autismo passa a ser denominado Transtorno do Espectro Autista (TEA), e as outras distinções serão feitas de acordo com níveis de gravidade. Por exemplo, uma pessoa pode ser diagnosticada com Transtorno do Espectro do Autismo, Nível 1, Nível 2 ou Nível 3.
Ainda falando do DSM 5, o TEA passa de uma tríade de desvios:

  • na comunicação;
  • na interação social;
  • na imaginação;

Para uma díade:

  • de um lado, alteração da comunicação social;
  • do outro, a presença de comportamentos repetitivos e estereotipados.

TEA em números

Acredita-se que 1 em 100 crianças no mundo tenham autismo hoje. Acredita-se também que aproximadamente 40% das crianças com TEA apresentam deficiência intelectual.
Atualmente, existem diversas pesquisas em busca da causa do TEA. Uma delas é feita a partir de dentes de leite doados por crianças com e sem autismo. Os grupos de pesquisadores são liderados pelos neurocientistas brasileiros Patricia Beltrão Braga, da USP, e Alysson R. Muotri, da Universidade da Califórnia em San Diego/ EUA. Esses pesquisadores confirmaram que uma inflamação em células cerebrais, chamadas astrócitos, pode estar associada ao desenvolvimento de uma forma grave desse transtorno. Porém, enquanto esses estudos estão restritos a laboratórios, o diagnóstico precoce torna se essencial para o desenvolvimento dessas crianças.

Diagnóstico precoce e Assessoria Familiar Domiciliar

O diagnóstico precoce do TEA é essencial pois, a partir dele, são realizadas as intervenções necessárias para o desenvolvimento da criança. É importante enfatizar a qualidade e o papel de todos na intervenção, inclusive o da família. Porém, devemos lembrar que a mesma não irá ocupar o papel de terapeuta, mas vai prover auxílio e ajudar no crescimento dessa criança.

O trabalho em equipe é um diferencial no tratamento. Sendo que a intervenção é realizada no dia a dia da criança com TEA, desde a hora que acorda até a hora que vai dormir, o trabalho de assessoria familiar domiciliar vem dando resultados positivos. Essa assessoria tem como objetivo avaliar todos os âmbitos da vida do paciente, respeitando todas elas.
Esse trabalho consiste em observar os detalhes mais minuciosos do dia da criança. Esses detalhes podem afetar e prejudicar a criança em função de sua patologia. Também, essa observação pode resultar boas observações sobre o funcionamento familiar, podendo levar ao desenvolvimento de um programa mais adequado e individualizado para cada paciente, visando sua melhor evolução possível.

Concluindo

Apresentamos uma breve cronologia do estudo do Transtorno do Espectro Autista, desde seu primeiro diagnóstico até sua definição atual pelo Manual Diagnostico e Estatísticos de Transtornos Mentais. Apresentamos também alguns números relacionados ao TEA a nível mundial. Finalizamos com observações sobre diagnóstico precoce e novas metodologias de tratamento.
Enfatizamos que ainda não sabermos a origem do transtorno. Porém, podemos afirmar que o melhor a se fazer nesses casos é buscar um diagnóstico o mais cedo possível. Dessa maneira, o tratamento pode ser iniciado precocemente, e a criança pode se desenvolver da melhor maneira possível.


Fabiane Biazus

Educadora Especial, Psicopedagoga clínica e institucional, Especializada em TEA, Assessora familiar domiciliar para TEA´s

3 Comments

Carol · 10 de April de 2018 at 15:24

Adorei a matéria!!! Fabiane Biazus uma excelente profissional e pessoa.

    Bibiana · 10 de April de 2018 at 17:44

    Obrigada Carol! Nos esforçamos para trazer conteúdo de qualidade, sempre! E sim, a Fabiane é uma fofa <3 <3 <3

Carla Blaya · 4 de July de 2019 at 10:25

Sensacional esta matéria, parabéns! És uma ótima profissional ❤️😘

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