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Acompanhante Terapêutico: humanos ou animais como co-terapeutas

Published by Diogo Gomes on

Afago Pet Terapia, uma família de tera(u)peutas | Intervenção Assistida por Animais | afagopetterapia.com.br

Em função do Dia Mundial da Conscientização do Autismo, estabelecido pela ONU como 02 de abril, propomos uma série de blog posts na qual convidamos profissionais ligados às IAAs para falar sobre diferentes métodos de tratamento dos Transtornos do Espectro Autista (TEA). Hoje recebemos o psicólogo Diogo Gustavo Moraes Gomes (CRP 07/20251), que expõe informações sobre a Terapia Assistida por Animais em casos de pacientes autistas. Diogo fala especialmente sobre a figura do Acompanhante Terapêutico. Fala também sobre sua experiência profissional como co-terapeuta e sobre o uso de cães como co-terapeutas.

A história do Acompanhante Terapêutico (AT)

Referências colocam o surgimento do AT na década de 60, na Argentina. O método surge como alternativa para auxiliar nas terapias clássicas que não alcançavam êxito em tratamentos clínicos com alguns pacientes. Nesta época, o AT era chamado de “Amigo Qualificado”. O nome foi posteriormente modificado em virtude de não demonstrar um caráter profissional.
Outro fator que impulsionou a atuação do AT foram os movimentos antimanicomiais na Europa, EUA e Brasil. Esses movimentos tiveram como objetivo a reintegração e reinserção na sociedade de pessoas com transtornos mentais. Concomitantemente, buscavam reduzir e acabar com a segregação em virtude de diagnósticos.
Com o passar do tempo, a quantidade de estudos e pesquisas voltadas para essa área aumentaram o campo de atuação do AT, deixando de atuar apenas em transtornos mentais graves. Vale salientar que o AT tinha como linha de estudo o campo psicanalítico, e hoje utiliza também da linha cognitiva comportamental em sua atuação.

O trabalho como AT

O trabalho do AT consiste em atuar junto com o paciente, em diversos ambientes além da clínica. Esses ambientes podem ser quaisquer espaços que possam ser considerados “desafiadores” para o paciente. Como exemplo:

  • a residência do paciente;
  • o mercado;
  • o shopping;
  • uma praça;
  • um evento social;
  • uma academia.

Digo desafiador pois são espaços onde o paciente necessita de um “regulador”, algo que estimule sua interação, a fim de vencer seus obstáculos dependendo de cada demanda. Trago como exemplo de minha atuação profissional como AT pacientes com fobias sociais, que necessitam de um reforço e de um suporte para vencer medos, barreiras e crenças distorcidas, que dificultam sua convivência social. São exemplos

  • entrar em um mercado;
  • em uma livraria;
  • realizar uma atividade cotidiana em meio social.

AT e o tratamento de pacientes autistas

Também trago como exemplo de minha experiência pacientes com Transtorno do Espectro Autista, que necessitam de treinamento de habilidades sociais. Nesses casos, o AT serve a função de alertar e auxiliar no controle de mudanças de comportamento, controle do tom de voz ou os movimentos estereotipados. O propósito desse tipo de intervenção é fazer com que o paciente, com o decorrer do tempo, monitore sozinho a ocorrência de alterações, e se necessitam ser controladas ou corrigidas.
E este tipo de atuação possibilita conhecer, de forma ampla, a complexidade do mundo que cerca o paciente, como costumes e organizações familiares e hábitos que influenciam o dia-dia desta pessoa. Nesse contexto, o AT tem a possibilidade e dever de pontuar todos os fatores a serem modificados, mantidos ou estimulados.

AT como co-terapeuta

O trabalho do AT, em grande parte, é como co-terapeuta, atuando em conjunto com Psicólogo ou Psiquiatra. No meu caso, como sou Psicólogo, atuo com ambos profissionais. É possível também que o AT seja não apenas humano, mas também animal.
O intuito dessa parceria não é de um substituir o outro, mas sim de que o animal complemente os trabalhos terapêuticos desenvolvidos em diferentes demandas. É possível, até, que ocorra o trabalho em grupo: psicólogo, psiquiatra, AT e terapeuta assistido por animal, independente da ordem e da necessidade de todos estes profissionais.
Dessa maneira, tanto o Assistente Terapêutico quanto o animal terapeuta surgem como complemento para as terapias clássicas. Ambos são efetuados como co-terapeutas, daí o comparativo em termos de atuação no campo terapêutico.

Animais como ATs

Estão cada vez mais difundidas e consolidadas as terapias assistidas por animais , sejam eles cachorros, gatos, pássaros, cavalos… Esses animais servem a função de auxiliar no desenvolvimento e avanço dos pacientes em terapia. A literatura científica mostra os benefícios desta modalidade de atendimento. Animais terapeutas abarcam uma gama extensa de condições de saúde que podem ser beneficiadas por essa terapia, sendo cada vez mais adotados por

  • hospitais;
  • centros de reabilitação;
  • asilos;
  • clínicas particulares,

Profissionalmente, atendo casos em que a família procurou como recurso terapêutico a inserção de cães e cavalos, este último em sessões de Equoterapia. O cão, já é de conhecimento amplo, tem grande capacidade de e sensibilidade para interagir e responder à necessidade humana. Quando falamos em cães treinados para atuar como co-terapeutas, essa capacidade é ampliada.
Os animais têm a capacidade de acionar, nos humanos, regiões do cérebro ligadas a emoção, concentração, humor, memória, entre outras. O acionamento dessas regiões é capaz de auxiliar no desenvolvimento e evolução de quem é acompanhado por esta modalidade de terapia.

Concluindo

Apresentamos a função de Acompanhante Terapêutico, que pode ser empreendida tanto por humanos quanto por animais capacitados para tanto. Mostramos como essa metodologia auxilia no tratamento de pacientes com TEA, e como pode ser associada à TAA para resultados comprovadamente melhores.
Como psicólogo e profissional de AT, finalizo pontuando que cabe a nós, profissionais, nos apropriar e conhecer ainda mais a TAA e a metodologia de Acompanhante Terapêutico. Incluo aqui profissionais das áreas da saúde mental, de aprendizagem, além das diversas áreas que possam se beneficiar destas metodologias. Essa necessidade surge de resultados comprovados por estudos que mostram os benefícios do uso destas formas de atendimento. Nossa preocupação deve ser uma só: a melhora e redução de sintomas ou transtornos que prejudiquem a saúde mental de nossos pacientes.


Diogo Gomes

Atendimento psicológico, com ênfase nos Transtornos do Espectro Autista, Síndrome de Asperger, atuando também como Acompanhante Terapêutico.

2 Comments

Saúde dos pets · Afago Pet Terapia · 7 de May de 2018 at 18:20

[…] são amigos, companheiros, terapeutas, a alegria da casa! E você, retribui todo esse carinho? Existem cuidados indispensáveis para […]

6 dicas pra cuidar da saúde dos pets · Afago · 3 de September de 2019 at 17:56

[…] são amigos, companheiros, terapeutas, a alegria da casa! E você, retribui todo esse carinho? Existem cuidados indispensáveis para […]

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